Como funciona a Equalização RIAA
Os pré-amplificadores utilizados na reprodução de discos diferem dos demais tipos de pré-amplificadores porque devem equalizar de uma maneira especial os sinais correspondentes a uma gravação.
Na figura A mostramos que, percorrendo a curva de resposta de uma gravação em disco, de 20Hz a 20000Hz, a intensidade dos sinais não é a mesma, mas varia amplamente, indicando uma diferença grande entre o som real e o som que deve ser reproduzido,

Assim, para reproduzir uma gravação, devemos compensar esta curva com uma equalização que nos permita ouvir os sons gravados com as intensidades originais. Para entender porque essa alteração ocorre e porque precisamos compensá-la será interessante analisar o processo de gravação de um disco.
Os sulcos dos discos fonográficos são gravados por uma agulha que é acionada por dois sistemas mecânicos que vibram, conforme mostra a figura B.

Dependendo do acionamento destes sistemas, que recebem os sinais de áudio de cada canal, a agulha vibra e imprime no sulco ondulações que retratam o som original. A amplitude da oscilação da agulha na gravação não pode exceder um certo valor para que não ocorram distorções. A amplitude máxima que pode ser gravada é determinada pelas características do material do disco, e fixa o que se denomina de "faixa dinâmica" de uma gravação, O valor típico para esta faixa é de 58 dB, o que quer dizer que esta é a diferença de nível maior que encontramos entre os sons mais fracos e os mais fortes de um disco. No entanto, a natureza granulada do material de que é feito um disco faz com que ele se comporte como uma fonte de ruído. Nas gravações, para minimizar este efeito, a agulha é aquecida a uma certa temperatura. Cuida-se para que o nível de ruído máximo que exista no disco seja pelo menos 10 vezes menor que o eventual ruído introduzido pelo circuito do pré-amplificador.
O sinal de áudio gravado se caracteriza pela freqüência e pela amplitude. Na reprodução, a freqüência se traduz pela velocidade com que a agulha "desliza" sobre o sulco, ou seja, pela rotação do disco, enquanto que a amplitude se traduz pela intensidade com que ela vibra. Como a agulha é suspensa por um sistema mecânico, ela não possui uma resposta linear em toda a faixa de freqüências que deve ser reproduzida. O próprio sistema mecânico tem uma freqüência de ressonância em torno de 700 Hz, na qual tende a vibrar mais intensamente. Para um sinal de forma de onda simples, como uma senóide, pode-se obter uma boa resposta em toda a faixa, mas com sinais complexos a coisa muda. Assim, existem duas possibilidades de se fazer uma gravação com a minimização destes problemas. Uma delas consiste em fazer a gravação com velocidade constante, caso em que a amplitude dos sinais vai ser cada vez menor à medida que a freqüência aumenta.
Outra possibilidade consiste em ter uma amplitude constante em toda a faixa, caso em que a velocidade deve aumentar nas freqüências altas, conforme sugere a figura C.

A primeira possibilidade é melhor, já que os fonocaptores magnéticos (que são os mais comuns) consistem em dispositivos de velocidade de constante. Eles consistem num elemento ativo, um gerador que produz um sinal a partir de uma bobina móvel com saída de tensão proporcional à velocidade de alteração no sulco. Na faixa de 20Hz a 20000 Hz, que corresponde a 10 oitavas, a variação de-amplitude é de 1024 para 1, sendo este valor tomado como referência para se estabelecer a resposta de uma gravação. Desta forma a RIAA (Record Industry Association of America) estabelece uma curva de equaiização cujos valores são fixados em 3 freqüências: 50 Hz, 500 Hz e 2120 Hz.
